Juiz de Fora e sua vocação industrial

Embora não tenha tido o privilégio de nascer nessa bela cidade, me orgulho de ter aqui fincado em definitivo minhas raízes e acompanhado como contador e empresário o seu desenvolvimento nas últimas décadas e dela ser seu fiel Cidadão Honorário. Diante de sua enorme capacidade de adaptação às novas necessidades de sua comunidade o crescimento na última década do segmento comercial e de serviços é uma incontestável e feliz realidade. O mesmo não acontece com o segmento industrial, muito aquém das potencialidades da cidade, provocando um grave desequilíbrio em seu crescimento sustentado.


Nem sempre foi assim, até a metade do século passado sua inabalável vocação industrial fez com que aqui se instalassem indústrias de porte no ramo têxtil e de outros segmentos, graças ao pioneirismo de seus governantes e empresários. Foi na época apelidada de "Manchester Mineira" por se assemelhar em potencialidade industrial à cidade inglesa. Infelizmente os que lhes sucederam não conseguiram evitar que elas sucumbissem diante da rápida evolução tecnológica, assistindo passivo o seu parque industrial virar sucata.


Na segunda metade do século, os herdeiros da tradição têxtil fizeram proliferar milhares de malharias e tecelagens, nos colocando entre os mais importantes pólos de malhas do país. Novamente os empresários e governantes foram surpreendidos e não buscaram a tempo as alternativas para essas empresas, ao vê-las sucumbirem. A desordenada liberação pelo governo da importação de matérias-primas e mercadorias de países, cuja realidade econômica colocava os produtos nacionais em posição de desigualdade em termos competitivos no mercado interno, foram algumas das causas desse holocausto.


A instalação de algumas indústrias de porte, no final do século passado e no inicio desse, representa muito pouco para alcançarmos o equilíbrio necessário ao crescimento sustentado. Não imagino e desejo uma explosão no crescimento industrial poluindo o ambiente, aumentando a violência e problemas de mobilidade. Gostaria de vê-la gerando empregos e riquezas em todos os segmentos para que nossos filhos aqui permaneçam formando suas famílias, enfim onde prevaleça acima de tudo uma boa qualidade de vida.


Podemos apontar com responsáveis pelo atual desequilíbrio de forças no crescimento sustentado a ausência de um planejamento arrojado do município destinado a motivar a instalação de novas empresas industriais, a precariedade e limitações do Distrito Industrial de Benfica e as modestas dimensões do Distrito Industrial do Milho Branco. A lentidão na escolha de um local adequado para se instalar um novo distrito industrial, a criação de uma política tributária e de financiamentos voltados a atrair novos empreendedores e sua imediata extensão às empresas aqui instaladas, para que elas pudessem ampliar seus investimentos.


A inexplicável ausência de uma secretaria municipal atuante com foco especifico para cuidar do desenvolvimento industrial criou uma lacuna muito bem aproveitada pelos nossos vizinhos de Três Rios e outras cidades fronteiriças, que ao contrario apostaram todas as suas fichas na busca de empresas interessadas em se instalar naquela cidade. Quem passa pelas duas margens da BR 040 observa as portentosas indústrias que seduzidas pelos benefícios fiscais e de investimentos concedidos pelo estado e pelas cidades ali construíram suas fábricas. Seus políticos, entidades de classe e governantes deram um exemplo de sagacidade, competência e agilidade na busca do crescimento e desenvolvimento de sua cidade.


Contrapondo-se a enervante passividade que os nossos mesmos representantes assistem a esse meteórico crescimento dessas cidades limítrofes com o estado vizinho. Não bastasse o fiasco que se tornou a Mercedes Bens, um aeroporto fora do município, um centro de convenções praticamente inativo, temos ainda que assistir nossos jovens migrarem para outras cidades na busca de oportunidade de trabalho. As eleições municipais estão chegando, mas não vejo muito entusiasmo nos candidatos em relação a esses assuntos, nos distanciando cada vez mais de nossa vocação industrial.


Célio Faria de Paula - Contador - CRC-MG 18754
Diretor da Tecol Consultoria Empresarial

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